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Gestão ágil durante o isolamento social: entenda como conduzir a sua empresa

A fim de apoiar seus clientes durante o momento crítico que estamos vivenciando, a PKT Desenvolvimento Empresarial, em parceria com a TOTVS Interior Paulista, promoveu um bate-papo online para discutir os impactos e insights para a gestão ágil durante o período de isolamento social. Além disso, também teve o propósito de auxiliar empresas a se estruturarem para encarar o novo mundo em transformação no pós-crise, levando em conta suas ameaças e oportunidades.

 

Participaram do encontro online Pádua Teixeira, Presidente da PKT Desenvolvimento Empresarial, e dois representantes da TOTVS responsáveis pela unidade Interior Paulista (TOTVS IP), Luis Mulla, Diretor Comercial, e o CEO William Oliveira, que mediou a conversa.

 

Cenário Atual

 

Para Pádua, a vivência junto das mais de 70 empresas atendidas pela PKT hoje mostra como o mundo mudou e as empresas precisam acompanhar as mudanças com urgência. Agora, a palavra-chave é execução e, independente dos erros que ocorrerem, as empresas devem agir e ter capacidade proporcional de corrigí-los com rapidez. Segundo o Presidente da PKT, com isso em mente, as empresas e empresários precisam voltar suas atenções para a comunicação junto a todos seus stakeholders, a fim de evitar que a falta de conhecimento ou transparência sobre suas ações seja seu calcanhar de aquiles neste momento crítico.

 

E aqui, o papel da liderança será fundamental para enfrentar os desafios atuais da crise e os que estão por vir. Entre as ações que se espera do líder, Pádua destaca:

  • Estabelecer uma visão sistêmica
  • Estabilizar a informação
  • Compartilhar decisões
  • Ter velocidade na execução
  • Incrementar canais de comunicação
  • Gerenciar a emergência e a retomada (Ambidestria Estratégica)

 

Luis Mulla, Diretor Comercial da TOTVS IP, ressalta que 2020 era para ter sido considerado o ano da recuperação no país, ano da virada depois de tantas “tragédias”, econômicas ou não, vividas, como a crise de 2008 e 2015, H1N1, impeachment presidencial. “Assim, não é exagero dizer que tivemos que entrar em retenção de demanda pela pandemia justamente no momento em que saíamos de período recessivo muito grande”, explica. Para Luis, aqui o papel é fundamental. Segundo o Diretor Comercial, nenhum profissional foi treinado em uma faculdade para se preparar para o que estamos enfrentando hoje. A última pandemia que o mundo conheceu foi a gripe espanhola, de 1920. “Podemos entrar em recessão mundial e isso deve mudar nossos hábitos. Teremos que romper com muitos conceitos pré-existentes”, reforça.

 

Segmentos e recuperação

 

Pádua Teixeira apresentou um panorama de quais segmentos devem ser os mais afetados pela crise e trouxe uma perspectiva de recuperação – a apresentação na íntegra você confere aqui.

 

Segundo o Presidente da PKT, todas as empresas cuja demanda está em queda terão que se reinventar para viver. “Este é uma perspectiva atual, de como estamos hoje. Se projetarmos para daqui três meses, deve mudar completamente. O perfil do consumidor é outro, assim como seus hábitos. E aqueles que souberem acompanhar esse movimento, devem se sair bem da crise”, garante.

 

Luis Mulla inclui um segmento entre os que não devem ser tão afetados durante a crise: o de agronegócio. “Talvez seja o único que sustente o Produto Interno Bruto (PIB) este ano”, afirmou. Para Luis, onde houver a possibilidade de aglomeração de pessoas provavelmente terá uma recuperação mais lenta. Ainda assim, ele diz que a capacidade de reinvenção que os profissionais de setores como eventos têm é impressionante e que podemos ser surpreendidos em alguns momentos. “Prova disso são as lives que diversos artistas têm realizado e que são rentáveis e de sucesso”.

 

Do lado indústria, o Diretor comentou sobre a queda sensível que sofreu o setor automobilístico. Ele relembrou a declaração do presidente da Volkswagen Brasil, de que a recuperação das montadoras brasileiras requer investimento de três anos em um. “O Brasil tem as maiores montadoras do mundo aqui, vai ter que dar jeito”, assegurou.

 

Reforçando a questão de crescimento da tecnologia e comércio eletrônico apontada por Pádua, Luis comentou sobre a VTEX, plataforma de E-commerce parceira da TOTVS. “Não apenas no Brasil, mas no mundo, o comércio eletrônico explodiu. O crescimento do número de usuários dos últimos 30 dias é proporcional ao volume de usuários conquistados pela empresa em 5 anos”.

 

O CEO da TOTVS IP, William Oliveira, também deu seu parecer sobre os segmentos afetados. Além de saúde, indústria e comércio, merecem destaque os serviços ligados à tecnologia, inteligência artificial e biotecnologia. Entre as áreas que devem valorizar ainda mais estão indústria de alimentos, setor agro, higiene, distribuição de medicamento. “Apontam crescimento também a indústria da solidariedade (terceiro setor) e área jurídica”, ressaltou.

 

Recuperação

William questionou Luis e Pádua sobre qual a visão sobre a recuperação da economia e sua velocidade. “Vocês acham que o desemprego das áreas mais afetadas citadas pelo Pádua podem puxar muito para baixo a retomada econômica mundial acelerada, como os analistas estão prevendo?”

 

Luis afirmou que a retomada da economia mundial deve ser regionalizada no mundo, mas, no Brasil, acredita que possa ser melhor e mais rápida que demais países, já que a Europa vinha de processo de retração e recessão, e os Estados Unidos não tinham uma retomada forte na economia. “Para que isso se torne realidade, o Brasil precisa mudar a interdependência que tem com a China. Ficou claro que não podemos ter um país (China) como nosso único distribuidor mundial de certos produtos, vai contra a regra da economia. Essa “China-dependência” deve diminuir, trazendo empresas de volta para o nosso próprio país, ainda que dependa de muitas coisas para isso acontecer”, alertou Luis.

 

Outro ponto que interfere diretamente nessa recuperação está ligado aos empregos. Para Luis, nossa legislação trabalhista tem particularidades que outros países não têm. Nos Estados Unidos, por exemplo, as pessoas ganham por hora, não tem encargos e empregadores podem mandar embora e recontratar com mais facilidade, ou seja, a curva do desemprego ascende rápido, mas a retomada é mais ágil. “No Brasil, nossa lei é mais dura. Com a Medida Provisória 936 estamos tentando manter empregos aqui”, explicou.

 

Pádua concorda com Luis sobre a questão da manutenção dos empregos. Segundo ele, a MP 936 foi uma jogada de mestre pra manter emprego, mas depende de resolver problema sanitário de forma correta. “O Brasil é enorme, temos cidades em que nunca imaginávamos que teríamos uma propagação tão séria da doença, como Manaus. São fenômenos que preocupam”, alertou.

 

Sobre a retomada do crescimento, Pádua afirmou que há grandes chances de termos uma curva em V, com retomada rápida, mas não dá pra saber como será, tendo em vista o lead time incerto. “Especialistas mais otimistas acreditam que acontecerá em julho e agosto; os pessimistas, em setembro e outubro”.

 

Just in time X Just in case

 

William Oliveira comentou sobre um termo interessante e que tem sido cada vez mais recorrente no período incerto que estamos vivendo. Segundo ele, deixamos de pensar no Just in time, para focarmos no Just in case. A fala cada vez mais comum é que precisamos sobreviver ao agora e nos preparar para o futuro. Entre a combinação de ações imediatas estariam aquelas voltadas para a saúde financeira da empresa, como reforçar o caixa, e para inovação, não apenas tecnológica, mas em todos os setores. “Como vocês estão vendo as empresas se prepararem para isso?”, provocou o mediador.

 

Pádua usou uma metáfora para ilustrar o momento. “Imagine um boxeador que levou uma porrada e ficou zonzo. É assim que a maioria das empresas está se sentindo. Quem montou um comitê de crise, saiu na frente. Isso porque definiu atividades para serem executadas e corrigidas rapidamente, e deve atravessar a crise melhor que as outras”, esclarece. Ainda assim, ele diz que não basta ter o comitê. “Há empresas de segmentos específicos que vão sofrer mais, como do segmento automobilístico. As montadoras devem começar a voltar em julho e, até lá, toda cadeia foi impactada. Os fornecedores menores estão sofrendo muito e precisando de ajuda dos grandes para sobreviver. Em contra partida, os grandes precisam ajuda-los, ou quando a crise passar, não terão de onde comprar parte dos produtos vitais para seu trabalho”, explicou.

 

Para Pádua, a empresa que não se transformar tem poucas chances de sair vitoriosa desse momento. Ele se pautou no conceito de ambidestria estratégica para explicar como deve ser a transição entre o momento atual e o que deve vir a seguir. “Todos estamos em regime de emergência e olhando para o agora. Mas não podemos nos esquecer do futuro, temos que trabalhar essa dualidade para equilibrar o momento atual e o próximo, que basicamente deve se materializar no segundo semestre. Todos já precisam saber qual é seu break even, como focar na recuperação de caixa, definir novos investimentos, entre outras ações – tudo isso já precisa começar a ser pensado agora. Esta transformação que as empresas estão sofrendo deixará um legado de aprendizado”.

 

Luis compartilha da mesma opinião que Pádua. “Quem montou um comitê de crise, com certeza está melhor, Nós mesmos fizemos isso antes do lockdown”, contou. No entanto, ele reforça a questão de não apenas montar o comitê, mas estruturá-lo, considerando a visão holística e sistêmica dos fatos, ainda mais porque hoje há uma intervenção governamental considerável, oferecendo subsídio para empresas e profissionais se manterem. “É necessário olhar o processo como um todo, pois o comitê não serve apenas para sobrevivência. É preciso responsabilidade e cabe à liderança o papel de olhar processo e entender o todo. Empresas gastam 30 dias para criar ações e apenas uma hora para avaliação estratégica de tudo que foi feito. Isso precisa mudar, as duas coisas precisam acontecer de forma ágil, focada e organizada”, explicou.

 

5 iniciativas do governo para o pós-crise

 

William apresentou mais uma questão que chegou pelo chat. “Se vocês pudessem entregar uma pauta com cinco projetos ou iniciativas que o governo deve seguir no pós-crise, quais seriam?”

Para Luis, o Brasil deveria pensar – e investir – em infraestrutura: energia, rodovias, aeroportos, hospitais e internet, entre tantos outros. “Investir em tecnologia será um grande passo, as empresas precisam de flexibilidade no acesso à tecnologia. Considero também que o apoio à inovação, vindo do Ministério da Ciência e Tecnologia, deveria ser revisto, tendo em vista que é dali que vem nossos cientistas”, diz. Ele também informa que sua expectativa é que o Brasil enxergue agora uma oportunidade de mudar, de criar centros de atração de empresas para acabar com dependência do território chinês, tendo como exemplo a Zona Franca de Manaus. “Deveríamos criar pólos para atrair empresas da China, do México, por exemplo. Eles deveriam migrar para cá. Isso seria definitivo para sairmos da classificação de país em desenvolvimento para desenvolvido”.

 

Gestão de Crise

 

De acordo com Pádua, uma reflexão constante da PKT Desenvolvimento Empresarial gira em torno de como mudar o modo gestão para ter mais eficiência. E por isso criaram um modelo diferenciado que está sendo utilizado pelos clientes neste período crítico. Trata-se do Programa SemaNow. “Como o próprio nome sugere, são ações para se executar no prazo de uma semana. É um programa que prima pela execução das definições do que empresa precisa fazer – e linkar com visão de futuro. Ele é bastante interessante para criar um novo modelo de gestão, que está muito mais alinhado com o momento de transformação e inovação que estamos vivenciado”, garantiu.

 

Luis reforça que o diferencial para o programa funcionar é o timing. “O programa endereça tudo que tratamos no nosso bate papo em ações práticas, abordando a visão holística do processo, pessoas, parceiros, fornecedores, com o grande desafio de mudar o mindset para semana e não mais meses e anos. Isso é feito com o auxílio de check points bem estabelecidos – ai gestão de crise funciona”, ressaltou.

 

William encerrou o encontro virtual reforçando que para que as empresas consigam enfrentar a crise é preciso velocidade e estratégia, e contar com um framework para se basear é fundamental para cobrir todas as frentes de atuação corporativa. Daí a relevância de um programa como este apresentado pela PKT Desenvolvimento.