MP 936: alterações trabalhistas para enfrentar a pandemia da COVID-19
06/04/2020
Gestão de Crise: serenidade, assertividade e agilidade são decisivas para enfrentar o período
15/04/2020
Exibir tudo

Live Paulo Guedes: principais insights

Nenhum brasileiro será deixado para trás. Essa foi uma das falas do ministro da Economia, Paulo Guedes, em uma live organizada pela XP Investimentos durante o último fim de semana. Além do ministro, que afirmou que que deve ser gasto até 5% do PIB contra pandemia, o evento online reuniu o CEO da XP, Guilherme Benchimol, Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP, Marcos Ross, economista-sênior da XP, além do analista político da XP Richard Back e o diretor institucional Rafael Furlanetti.

 

Para quem não pode acompanhar a entrevista, listamos alguns dos principais pontos abordados. Acompanhe!

 

Para ver na íntegra, clique aqui.

 

Entrevista Paulo Guedes

Paulo Guedes abriu o bate papo contextualizando o momento pré-crise e o atual. Para ele, o mundo estava desacelerando, mas o panorama nacional era diferente. Segundo o ministro, dois eventos limitaram o crescimento da economia em 2019: Brumadinho e o colapso da economia Argentina, o que cortou crescimento no primeiro semestre, mas no segundo o crescimento já começou a acelerar novamente. Foi então em um momento de retomada da economia brasileira que fomos atingidos pela pandemia, pois “estava tudo encaminhado para ser um semestre excepcional com reformas em andamento no Congresso”.

 

Assim que o país foi atingido pelo que Paulo Guedes chama de meteoro, foram aprovadas uma série de medidas para ajudar os estados e municípios, além de fortalecer o sistema de saúde nacional, garantindo os recursos necessários para combater a crise.

 

Sobre a divisão dos recursos injetados na economia, o ministro pontuou:

  • R$200 bilhões em recursos do depósito compulsório que foram liberados pelo Banco Central
  • R$150 bilhões que virão do BNDES e da Caixa Econômica Federal
  • R$150 bilhões de antecipação do 13º salário dos aposentados e pensionistas do INSS e diferimento do pagamento do Simples por micro e pequenos empresários.

 

Somados, isso representa uma injeção de quase R$500 bilhões de liquidez girando na economia em três meses, o que deve representar um impacto extraordinário. Também foi feita a feita a rolagem de dívida de estados e municípios e foram destinados R$3 bilhões para o programa bolsa família. De acordo com o ministro, primeiro foram incluídos aqueles que solicitaram o auxílio para que ninguém fique sem assistência. “Nenhum brasileiro vai ficar para trás”, ressalta. Em seguida será feito o filtro de fraudes via Medida Provisória para remover quem não estiver dentro do grupo que deveria receber o benefício.

 

Paulo Guedes reforça que é obrigação do governo transferir renda pros mais frágeis, que são 38 milhões de brasileiros. “Há um grupo que nunca pediu auxílio (informais e autônomos) que vai precisar de ajuda nesse momento”, diz.

 

Medidas

Algumas das medidas para isso serão:

1) R$50 bilhões para plano chamado Auxílio emergencial aos informais (AEI); “São os R$600,00 mensais que eles receberão durante a tragédia que nos atinge”, afirma;

2) R$ 50 bilhões de auxílio da folha de pagamento para empresas que mantenham seus empregados – para aquelas que não demitirem seus trabalhadores, vão complementar parte da folha de pagamento;

 

Somando toda essa injeção na economia, o valor se aproxima de R$750 bilhões, que é cerca de 4.8% do PIB nacional. Paulo Guedes explica que teremos um déficit, mas acredita que em dois ou três meses as coisas devem mudar e poderemos nos recuperar.

 

“Todos entenderão que gastamos muito, mas controlamos a trajetória dos gastos. No ano que vem estaremos voando de novo. Fomos atingidos por um meteoro, mas sabemos como sair”, diz o ministro, para quem este é um ano excepcional, será necessário gastar mais e focar em reformas estruturastes para garantir o futuro do país e a retomada do crescimento.

 

Entre os motivos que dão o tom de otimismo ao discurso de Paulo Guedes frente aos efeitos dos estímulos econômicos, ele lista que serão destravados os investimentos em “saneamento, infraestrutura, privatizações, setor elétrico, cabotagem, após resolver esse problema da pandemia. Após essa onda, vamos dar um exemplo e sair dessa crise”, argumentou.

 

Sobre a relação entre governo e equipe econômica, Paulo Guedes afirma que estão alinhados. E o que o presidente está fazendo é alertar a população das fases desta crise: primeiro teremos isolamento pra achatar a curva, mas é necessária preocupação com segunda onda, que será muito forte e terá consequências econômicas.

 

Setor Real

Agora estão trabalhando com Medida Provisória para chegar no “setor real”, com medidas de quantitative easing, por exemplo, para chegar no setor real; Banco Central sendo envolvido para tornar isso possível.

Segundo o ministro, o país já contava com um programa de crise de emergência fiscal, que passou por um redesenho para conseguir levar dinheiro para ponta, ou seja, para os estados se defenderem.

 

Sobre possível saída do governo, ele é categórico. “Esquece, não vou deixar o país no momento mais difícil sabendo que posso ajudar”, afirma, reforçando que está trabalhando 24h para ajudar o brasileiro.

 

Apelo aos empresários

Paulo Guedes explica que um dos pontos críticos para o país está na produção de ventiladores pulmonares. Hoje o país conta com quatro produtores (dois grandes e dois pequenos) e a produção, que era de 250 por semana, já chega a 1 mil. Ainda assim, para acompanhar a curva são necessários 1400, então o quanto os empresários puderem ajudar no sentido de incentivar a produção, melhor.

 

Testes

Outro ponto crítico seria a produção de testes para detecção do vírus, que precisa ser escalonada para passar de isolamento vertical para horizontal para impedir maiores impactos na economia. Ele usa de exemplo iniciativas de empresas como a Vale, que comprou testes para seu próprio pessoal, e doará o restante para sistema público, e a Ambev, que comprou 1 milhão (deve usar 70 mil) e vai doar o restante. É algo que funcionou em países como Japão, Coreia do Sul e Singapura.

 

Como mensagem para os empresários, ele pede calma e que evitem demissões. Isso porque em alguns dias devem operacionalizar a ajuda para redução de salário, que será acessível pelos bancos ou maquininhas. O mesmo vale para informais/autônomos.

 

Pós-crise

Democracia do Brasil é madura. Os poderes fazem ruído, mas isso acontece porque eles são independentes. Como vimos na previdência, Brasil será exemplo. A economia decolará mais uma vez assim que passar esta crise, em quatro ou cinco meses o cenário será muito diferente. Reformas estruturastes são essenciais para isso.

 

Chegada de medidas na ponta

Ele cita que o desafio da execução das medidas existe. “Estamos indo na direção contrária de nossa trajetória no governo, em questão de semanas. Execução na Caixa, BNDES, INSS, etc tem que ter efeito imediato porque o impacto da saúde já está aqui. Será um desafio, mas estrutura do setor público é forte”, garante.

 

Eixo economia-saúde

Não há acordo sobre duração de isolamento e o balanço economia-saúde ainda não é claro. Para o ministro, não sabemos quanto a economia aguenta ou quanto a saúde suporta. “Sabemos que, se as linhas básicas de suprimento forem mantidas, a gente até consegue esticar o período de quarentena. Não sabemos quanto tempo”, afirmou. “O período que a economia aguenta possivelmente é menor que a saúde exige”, completou.

 

“Quando o Mandetta (ministro da Saúde) fala que os casos vão subir, ele diz que os casos ficam três meses lá em cima antes de cair. 30 dias todo mundo aguenta. Segundo mês as empresas começam a abrir o bico. Vai depender muito de como suba a nossa curva”.

 

Mercado de crédito

“BNDES e CAIXA são 100% nossos e temos total controle sobre as operações. Banco do Brasil (BB) é uma empresa listada, mais difícil pedir dinheiro. De qualquer forma, o presidente do BB tem rolado as dívidas, capitalizando e empurrado tudo para a frente.” Foi assim que Guedes argumentou que espera a divisão de risco com os bancos, em especial no que diz respeito às empresas menores, onde o dinheiro não está chegando.

 

A ideia, segundo Guedes, seria dar um empurrão no banco e correr um risco. “Separamos um dinheiro no Tesouro. Primeiro, R$ 40 bilhões. Vamos dividir o risco com o banco. Estamos bancando 85% do risco atualmente. E precisamos dos bancos com o skin in the game”, conclui.